Família de vítima de feminicídio em Bento pede volta do réu à prisão
Parentes de Jane Cristina Montiel Gobatto, morta aos 54 anos em Bento Gonçalves, dizem sentir medo e injustiça. O acusado do crime responde ao processo fora da prisão. É o ex-marido dela, Milton Gobatto, que será levado ao Tribunal do Júri por feminicídio, em tese.
Jane trabalhava como secretária e atendente de caixa. Ela foi morta em 18 de abril de 2025, uma Sexta-feira Santa, na casa do ex-marido, com quem tinha sido casada por 30 anos. Mesmo depois da separação, ela ia ao imóvel para ficar perto do filho do casal, que morava com o pai. Segundo a investigação, naquele dia ela havia ido preparar o almoço e foi atacada enquanto descansava no quarto do filho.
A mãe de Jane, Eva Franco, de 74 anos, conta que convive com a dor todos os dias. Ela diz que nunca esperou isso do ex-genro, com quem tinha uma relação próxima. Vera Montiel, de 53 anos, irmã da vítima, afirma que a família deixou de se reunir e de comemorar datas desde o crime. A advogada Vanessa Dal Ponte, que representa os parentes, diz que uma questão de patrimônio estaria entre os motivos que perturbavam o acusado. Ela trabalha para que ele volte a ser preso.
Milton não usa tornozeleira eletrônica. Ele cumpre medidas cautelares: não pode mudar de município, precisa manter o endereço atualizado e deve comprovar com frequência que faz tratamento psiquiátrico. Um exame de sanidade mental concluiu que ele tem imputabilidade penal, ou seja, pode responder criminalmente pelo ato. Em 23 de setembro de 2026, a Justiça decidiu levá-lo a júri popular. Essa decisão, chamada de pronúncia, não é uma condenação. A Defensoria Pública, que faz a defesa dele, recorreu, e o processo aguarda o julgamento desse recurso.
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul informou que, em junho de 2025, a prisão preventiva foi trocada por medidas cautelares. Pesaram na decisão o entendimento dos tribunais superiores de que a gravidade do crime, sozinha, não basta para manter alguém preso e a superlotação dos presídios da região na época. Segundo o tribunal, o réu tem feito o tratamento como determinado.
Com informações de Leouve.