Alta de insumos pressiona margem dos viticultores de Bento Gonçalves
Os produtores de uva de Bento Gonçalves e de outras cidades da Serra Gaúcha estão pagando mais caro para produzir. A oscilação do dólar, a instabilidade no comércio internacional e as variações no preço dos combustíveis fizeram subir o custo dos insumos agrícolas e diminuíram o que sobra para as propriedades rurais.
O economista Lucas Stedile afirma que o câmbio e o frete internacional explicam a maior parte do aumento. Como boa parte dos adubos e defensivos usados no Brasil vem do exterior, a alta do dólar chega logo ao bolso do produtor. Ele cita o Oriente Médio como exemplo: os conflitos na região afetaram a produção e a oferta mundial de fertilizantes nitrogenados e fosfatados. A região responde por cerca de 40% das exportações de ureia, o fertilizante mais usado na agricultura.
Segundo o economista, a adubação representa cerca de 30% do custo de produção da uva. O restante vem principalmente da mão de obra, das máquinas e da infraestrutura. Com os preços mais altos, o produtor precisa de mais capital de giro. As linhas de crédito de custeio agrícola ajudam a financiar a safra, mas aumentam o risco de endividamento.
Os pequenos produtores são os mais afetados. Na viticultura da região, quase sempre familiar, a renda do ano inteiro depende de uma única colheita. Já os grandes produtores costumam ter mais reserva financeira ou outras culturas para compensar as perdas.
Para reduzir o impacto, Stedile recomenda que pequenos e médios produtores comprem em conjunto por meio de cooperativas, o que permite negociar preços menores. Ele também sugere planejar as finanças, antecipar a compra de insumos e aplicar adubos e defensivos com critério técnico para não desperdiçar produto.
Com informações de Leouve.