Bento Gonçalves recebe peça sobre Maçonaria e Guerra dos Farrapos

A Fundação Casa das Artes, em Bento Gonçalves, recebe na quarta-feira, 7 de outubro, às 19h30, o espetáculo “Maçonaria e a Guerra dos Farrapos”. A montagem foi criada pelo ator e historiador John Vaz e oferece outra interpretação da Revolução Farroupilha, conflito que durou de 1835 a 1845.

A peça vai além da visão romântica ou apenas militar da guerra. Ela mostra as divergências internas, as articulações políticas e as ideias em disputa naquele período. Segundo Vaz, o movimento não teve interesses únicos. Ele aponta dois grupos com pautas bem diferentes desde o começo da revolta.

O primeiro grupo surgiu em Porto Alegre, num ambiente urbano e intelectual. Ali se reuniram liberais exaltados, muitos deles vindos de outras partes do país, com tendência republicana, federalista e separatista. Nesse contexto, a maçonaria espalhava as ideias iluministas das revoluções Francesa e Norte-Americana. O historiador destaca a atuação de José de Alpoim, que fundou o Partido Farroupilha na capital da província.

O segundo grupo era formado pelos estancieiros do interior. Eles eram herdeiros das sesmarias, controlavam a economia baseada no trabalho escravo e tinham milícias próprias. Em geral eram liberais moderados. Reclamavam da centralização do poder na Regência e, principalmente, dos impostos sobre o charque, mais altos no Brasil do que no Uruguai e na Argentina.

De acordo com a proposta da montagem, o líder farroupilha Bento Gonçalves fez a ponte entre esses dois grupos rivais por meio da maçonaria. A peça também explica rituais maçônicos e se apoia em pesquisa histórica, unindo o meio acadêmico ao tradicionalismo. O público é convidado a refletir sobre resistência e democracia.

John Vaz tem uma carreira dedicada a espetáculos que retratam episódios da história do Brasil.

Com informações de Leouve.

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