O que Fazer em Paraí: Festival do Leitão, Pudim e Roteiro

Paraí é uma cidade pequena, com cerca de 7 mil habitantes, que transformou uma crise em festa: o Festival do Leitão nasceu quando os criadores de suínos da região não conseguiam vender a carne, e hoje divide o mês de julho com um concurso de pudins feito pelos clubes de mães. Se a dúvida é o que fazer em Paraí, este guia reúne o que ver e fazer na cidade, da Igreja Matriz São Brás às festas tradicionais, com um roteiro de um dia honesto para um destino que vive mais de comunidade do que de turismo.

Por que Paraí é diferente

Paraí fica a 217 km de Porto Alegre e faz divisa com Casca, Nova Araçá, Guabiju, São Jorge e São Domingos do Sul. Não é uma cidade de atrações famosas nem de filas para fotos. O que ela oferece ao visitante é outra coisa: a vida de uma comunidade do interior gaúcho, com festas organizadas por associações locais, comida farta e uma história bem contada por quem mora ali.

A economia ajuda a entender esse jeito de cidade. As principais fontes de renda são a agropecuária, em pequenas propriedades com área média de 13,8 hectares e o milho como principal cultura, e a extração de basalto, rocha usada na construção civil e vendida até para fora do país. Boa parte do que o visitante vê na paisagem, das lavouras às pedreiras, vem dessas duas atividades.

A origem do nome Paraí

A história do nome é uma das melhores da cidade. Uma das versões conta que, em 1912, um grupo que fazia o traçado urbano do local foi detido por uma forte nevasca e batizou o lugar de “Para-ahí”, depois grafado Parahy. Em 1932, a localidade chegou a se chamar Flores da Cunha, quando era distrito de Nova Prata. Em 1938, voltou a ser Parahy, e a grafia atual foi definida em 1943.

Da colonização à emancipação

Por volta de 1880, as terras pertenciam a fazendeiros de Lagoa Vermelha. No início do século 20, colonizadores como Jacó Simon, Caetano Bellincanta e Henrique Lenzi dividiram parte delas em lotes menores e os venderam a imigrantes. A ocupação começou em 1903, principalmente com italianos, mas também com portugueses, alemães e poloneses. Antes deles, a região era habitada por povos indígenas, como indicam pedras polidas, pontas de flecha e fragmentos de cerâmica, além de famílias de caboclos.

Um episódio que a memória local guarda bem é o de 26 de dezembro de 1906, quando o casal Mateus Dal Pozzo e Giacomina Lorenzet chegou de Nova Pádua, depois de cinco dias de viagem no lombo de mulas. A partir de 1910, vieram muitas famílias italianas. Paraí se tornou município em 9 de julho de 1965, data que até hoje marca o calendário de festas da cidade.

Igreja Matriz São Brás e Praça da Matriz

O centro da vida da cidade é a Igreja Matriz São Brás, junto à praça central. A história dela começa em 1914, quando os imigrantes construíram a primeira capela dedicada a São Brás nesse mesmo local. Dois anos depois, ergueram um campanário de madeira de 15 metros, com um sino de aço trazido da Alemanha. A Praça da Matriz, em frente à igreja, é o melhor lugar para começar a caminhada pelo centro e sentir o ritmo da cidade.

Festival do Leitão: a festa que nasceu de uma crise

O Festival do Leitão é o evento mais conhecido de Paraí. A ideia surgiu em 1981, num almoço com carne de porco assada no Povoado Palmeirinha, quando os suinocultores da região enfrentavam uma crise e a carne tinha pouca saída no mercado. O primeiro festival aconteceu em 22 de agosto de 1982. O sucesso levou o evento para a semana do município, em julho, e, em 1986, para o Salão Paroquial, no centro da cidade. Desde 2015, a organização é da ASPAR, a Associação de Suinocultores de Paraí e região.

O cardápio é o melhor argumento para a viagem: leitão no rolete, pernil e costela assados na brasa, leitão ao forno, salsichão, queijo de porco, morcela, radichi com toucinho, torresmo, polenta e saladas, acompanhados de vinho e graspa.

Festival do Pudim: o concurso dos clubes de mães

A outra metade da festa é doce. O Festival do Pudim começou em agosto de 1978, numa festa da comunidade de São Caetano, onde o pudim servia de ingresso para as moças. Desde 2017, os dois festivais acontecem juntos. Em edições recentes, os clubes de mães do município prepararam suas receitas, uma banca de jurados escolheu as três melhores, e os pudins vencedores foram servidos ao público junto com a premiação.

Os festivais costumam acontecer em julho, nas comemorações do aniversário da cidade, mas a data muda de ano para ano. Confirme a programação com a prefeitura, pelo telefone (54) 3477-1233, ou na agenda do site oficial antes de planejar a viagem.

Romaria de Nossa Senhora de Caravaggio e Expo Paraí

Em maio, a comunidade da Barra Seca recebe a tradicional Romaria de Nossa Senhora de Caravaggio, um dos eventos religiosos mais importantes do calendário local. Já a Expo Paraí é uma feira que acontece a cada quatro anos para mostrar as potencialidades do município. Se a sua viagem coincidir com uma delas, o passeio ganha outro movimento.

Cadeira Gigante e Painel Paraí

Dois outros pontos costumam aparecer nas listas de atrativos da cidade: a Cadeira Gigante, boa para uma foto divertida, e o Painel Paraí. São paradas rápidas, fáceis de encaixar na caminhada pela cidade. Como há pouca informação pública sobre elas, peça a localização na prefeitura ou a um morador.

Talian: a herança italiana que continua viva

Assim como a vizinha Serafina Corrêa, Paraí aparece entre os municípios gaúchos que reconhecem o talian como língua co-oficial. Na prática, isso significa que o visitante pode ouvir o dialeto trazido pelos imigrantes vênetos, sobretudo entre os moradores mais antigos, e que a herança italiana está na comida e no jeito de receber.

Onde comer em Paraí

Na cidade, as opções estão em churrascarias em Paraí, pizzarias em Paraí e cafeterias em Paraí, com telefone e WhatsApp para confirmar o horário. Quem procura opções sem glúten e sem lactose pode encomendar pães e doces da Dubem Alimentos, que atende por pedido.

Onde ficar em Paraí

Para quem vem de longe ou quer aproveitar o festival sem pressa de voltar, as opções estão em hotéis em Paraí. Em dias de festa, reserve com antecedência, porque a cidade é pequena. Casca e Nova Araçá, ali ao lado, também podem servir de base.

Roteiro de um dia em Paraí

Manhã: comece pela Praça da Matriz e pela Igreja São Brás, caminhe pelo centro e aproveite para procurar a Cadeira Gigante e o Painel Paraí.

Almoço: em dia de festival, o programa é o almoço com leitão e pudim. Nos outros dias, escolha uma das opções da cidade e confirme o horário antes.

Tarde: siga até Casca para conhecer a Vila Evangelista, ou até Serafina Corrêa para ver a Via Gênova. Paraí funciona muito bem combinada com uma dessas vizinhas. Mais ideias em onde ir em Paraí.

Dicas práticas pra montar o roteiro

  • Como chegar: de carro, a 217 km de Porto Alegre, em cerca de 3 horas de viagem.
  • Quanto tempo reservar: meio dia cobre o centro. Em dia de festival, reserve o dia inteiro.
  • Escolha a data: julho é o melhor mês, por causa dos festivais. Fora disso, combine Paraí com uma cidade vizinha.
  • Compre o ingresso antes: os almoços dos festivais costumam ter venda antecipada. Pergunte como comprar quando confirmar a data.
  • Leve casaco: o inverno da região é frio, e os festivais acontecem justamente nessa época.

Perguntas frequentes sobre o que fazer em Paraí

Quando é o Festival do Leitão de Paraí?
Costuma acontecer em julho, nas comemorações do aniversário da cidade, junto com o Festival do Pudim. A data muda a cada ano, então confirme com a prefeitura.

Como surgiu o Festival do Leitão?
Surgiu em 1981, durante uma crise dos criadores de suínos da região. O primeiro festival aconteceu em 22 de agosto de 1982, no Povoado Palmeirinha.

O que significa o nome Paraí?
Uma das versões diz que o nome vem de “Para-ahí”, usado por um grupo detido por uma nevasca em 1912 enquanto fazia o traçado urbano do local.

Vale a pena visitar Paraí fora dos festivais?
Vale como parada, principalmente combinada com Casca ou Serafina Corrêa. Como destino principal, o melhor momento é julho.

Paraí fica na Serra Gaúcha?
Fica no norte da região da Serra, a 217 km de Porto Alegre, perto de Casca, Nova Bassano e Serafina Corrêa.

Vale a pena conhecer Paraí

Paraí não tenta competir com os grandes destinos da Serra Gaúcha, e é isso que faz da cidade uma boa surpresa: um festival que nasceu para salvar uma cadeia de produtores, pudins feitos pelos clubes de mães e uma história que começa numa nevasca. Vale reservar um dia, de preferência em julho, e conferir o guia comercial de Paraí para fechar onde comer e dormir antes de sair de casa.

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